Antonio Mota© - AnjoDeLuz Home Page® - Eu - Fernão Capelo Gaivota

 

"Acaso tens conhecimento de quantas vezes 
tivemos que viver antes mesmo de obter a primeira idéia 
de que existe mais coisas na vida além de comer, ou lutar, ou ter poder no Bando?

Milhares de vidas, meu amigo, dezenas de milhares!... 

Escolhemos nosso próximo mundo a partir daquilo que aprendemos nesse...
 mas tu, Fernão, aprendeste tanto de só uma vez...
 que não tiveste que passar por milhares de vidas para alcançar esta."

Richard Bach 

 

"Tens a liberdade de seres tu próprio, aqui e agora, e nada poderá impedir o teu verdadeiro EU de vir ao de cima"...

Richard Bach




Era manhã e o sol nascente brilhava sobre as ondas de um mar calmo.
A dois quilómetros da costa um barco de pesca pairava sobre a água e as palavras Pequeno - Almoço relampejaram pelo ar, até que um bando de gaivotas apareceu a disputar pedacinhos de comida. Era o começo de um dia movimentado. Mas lá longe, para lá do barco e da costa Fernão Capelo Gaivota treinava. A trinta metros de altura, baixou as suas patas com membranas, ergueu o bico e tentou a todo o custo, com a força das asas, aguentar uma contorção difícil e dolorosa. Isso queria dizer que deveria voar devagar, e então abrandou até sentir o vento passar pelo corpo como um sussurro, até sentir o oceano por debaixo de si. Franziu os olhos, em intensa concentração, susteve a respiração e forçou...um...só mais...um...centímetro...de...curva. Então as penas ruflaram, e ele desequilibrou-se e caiu.





Como sabem, as gaivotas nunca hesitam, nunca se desequilibram. Desequilibrar-se no ar é para elas uma desgraça e uma desonra.
Mas Fernão Capelo Gaivota não era um pássaro vulgar.





Começa assim a narração de Richard Bach, piloto de pequenos aviões e planadores e autor de inúmeras obras onde, baseado na sua experiência de aeronáutica e na imensa paixão de voar toca aspectos humanos comuns a toda e qualquer alma, desde as inquitudes mais profundas às esperanças mais inocentes.





Fernão Capelo Gaivota, ave destinada por tradição do bando com que habita e pela própria natureza da espécie a que pertence, é suposto ocupar a mente apenas com as preocupações próprias de uma gaivota - procurar alimento. Contudo, Fernão Capelo Gaivota não se trata de uma qualquer gaivota, deseja mais e mais da vida do que a mera procura de alimentos. Quer rasgar os céus, fazer voos picados, rasantes. O que a alma lhe pede é o voo, a liberdade e o pleno domínio dos céus. O desejo de ver mais longe e de responder a um apelo que é mais forte que ele próprio torna-o um elemento incomodativo entre os seus pares. Não satisfeito com as limitações que a sociedade lhe impõe e nem mesmo com aquelas que o relembram quão difícil é transpor as barreiras que o próprio corpo ergue, Fernão Capelo Gaivota opta sempre por ir mais longe.





Quer ele próprio, alma liberta que se ultrapassa a si mesma e que ultrapassa o próprio domínio físico. A resposta que lhe é dada não poderia ser outra. Tal como acontece a quem infringe as regras vigentes em qualquer domínio comunitário. Fernão Capelo Gaivota acaba por ser expulso do bando após duro julgamento. A sentença que lhe é decretada por desejar algo que o torna necessariamente diferente dos outros é a da exclusão pois entende-se que dele é imperioso fazer um exemplo, não vá a ideia de ocupar o espirito com desejos mais altos toldar o juízo às aves mais jovens, mais arrojadas, mais inexperientes e mais influenciáveis pelas grandes causas da alma humana, aqui retratada no espirito de uma gaivota.





Fernão Capelo Gaivota aprende o que é a solidão, aprende qual o preço a pagar por não ser igual, por desejar mais e não se contentar com o doce desenrolar dos dias iguais aos outros. Mas Fernão Capelo Gaivota também aprende o que é descobrir que não se trata da única gaivota com alma de asas, percebendo que apenas percorre acelerado um caminho que toda a espécie terá que aprender - o de que há mais além da busca do alimento, do mesmo modo que para o Homem há mais para além das buscas mais mundanas que a sociedade nele incute.
 




Neste ponto, a ave julga encontrar-se num outro mundo, diferente do da Terra, talvez morto e renascido, talvez perdido entre tantas questões que logo se levantam. Isto porque Fernão Capelo Gaivota, não poupa esforços a si mesmo, nem à sua alma. Questiona-se. Prefere a dúvida e a incerteza às cómodas ilusões que a adaptação aos moldes de vida lhe poderão proporcionar. Junto de outros que buscam a mesma perfeição, de voo, de performance, mas sobretudo interior, Fernão Capelo Gaivota descobre o que é a verdadeira liberdade e a verdadeira essência de ser ele próprio. 

Porque vê melhor a gaivota que voa mais alto 

História de Fernão Capelo Gaivota foca a intensa e extraordinária determinação de Fernão Capelo, que antevê um outro mundo - um Mundo de Amor, Compreensão, Esperança, Força-de-vontade e Individualidade.





Perdido...
Num céu às cores...
De onde pendem as nuvens...
Para deleite do poeta...
Podê-lo-às encontrar...
Se o conseguires encontrar.



Lá...
Numa praia distante...
Levado pelas asas do sonho...
Através de uma porta aberta...
Podê-lo-às conhecer...

Se conseguires SER...
Página que reclama uma palavra...
Que fale de um tema Eterno
E que dela...
Deus faça o teu dia.



Canta...
Como uma canção...
Em busca de uma voz muda...
E o Sol...
Com que Deus te há-de guiar.

E dançamos....
Ao som de um sussurro... 
Que a alma escuta...
E de que o coração se ocupa...
Podê-lo-às conhecer...
Se conseguires conhecê-lo...
Enquanto a areia...
Em rochedo se transforma...
Que da centelha...
Faz brotar a Vida.



Sê...
Página que reclama uma Palavra...
Que fale de um tema Eterno
e que dela...
Deus faça o teu Dia.

Canta...
Como uma canção...
Em busca de uma voz muda...
E que dela...
Deus faça o teu Caminho. 




Porquê?
Porque não sou capaz?

Até onde conseguirei "voar"?
Como será o mundo visto "lá do alto"?

Tenho de voar mais longe do que os outros já voaram...

Hoje, voei mais alto do que é costume...
Para lá dos Penhascos-Longinquos...
Para lá das nuvens mais altas.
Consegue-se ver TUDO.



Céu de aspecto solitário...
Céu solitário...
E por ser solitário...
Faz-nos pensar porquê!

Noite de aspecto solitário...
Noite solitária...
E por ser solitária...
Induz sempre em erro!

Dorme...
Nós dormimos...
E podemos sonhar...
Enquanto pudermos.

Sonha...
Nós sonhamos...
Pois pudemos vir acordar...
Um dia de aspecto glorioso...
Um dia mais...
Dia de aspecto glorioso
Dia glorioso...
E na sua glória
Mostra-te um caminho simples...
Observa se puderes...
O Dia de aspecto glorioso...
Céu de aspecto solitário. 



Tradução adaptada da banda sonora do filme "Jonathan Livingston Seagull" - Do Livro de Richard Bach.



OS AMIGOS SÃO TUDO 

"Os verdadeiros amigos em cada encontro aumentam a sua amizade!"
"Quem deixa de ser amigo, na realidade nunca o foi."

"AMIGOS PARA SEMPRE"

 






                                                 







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